Um café com Elena de los Ríos, Directora de Logística da UNIDE COOPERATIVA

Licenciada em Administração e Direção de Empresas pela Universidade de Castilla-La Mancha, com um Mestrado em Direção de Logística e certificação SAP pela ESIC. É Diretora de Logística da Unide, após um percurso de 26 anos na empresa, sempre ligado à plataforma de temperatura controlada, onde ocupou o cargo de manager da plataforma central de Mercamadrid durante os últimos dez anos.

Empack e L&A: Elena, a Unide tem um modelo muito ligado ao comércio de proximidade e ao apoio às lojas locais. O que significa hoje trabalhar para manter vivo este retalho de proximidade num contexto tão em mudança?

Elena: Trabalhar para manter vivo o retalho de proximidade significa compreender que, por detrás de cada estabelecimento, existe um empreendedor local, uma família, uma equipa e uma comunidade que precisa de continuar a ter acesso a um comércio próximo, competitivo e adaptado às suas necessidades.

Na Unide, a logística desempenha um papel essencial nesse propósito. O nosso desafio não é apenas movimentar mercadorias, mas garantir que cada associado, esteja onde estiver, possa competir nas melhores condições. Isso implica dar resposta a realidades muito diferentes: supermercados urbanos, lojas em pequenos municípios, estabelecimentos em zonas rurais ou associados com necessidades muito específicas.

Hoje, a proximidade não se sustenta apenas com vocação de serviço. Precisa de eficiência, tecnologia, planeamento, capacidade de resposta e uma cadeia de abastecimento sólida. Por isso, trabalhamos para que a cooperativa seja esse suporte que permite ao associado concentrar-se no que é realmente importante: atender bem os seus clientes, manter a sua identidade local e continuar a ser relevante.

Empack e L&A: A inovação e a automatização num armazém representam um desafio numa atividade como a vossa, que não pode parar. Que aspetos considera fundamentais para desenvolver um projeto como o que implementaram recentemente (SARA), sem incorrer em custos ou esperas que afetem o funcionamento da cadeia?

Elena: A chave está em compreender que um projeto de automatização logística como o de Valdemoro não pode ser encarado como uma implementação tecnológica isolada. Deve responder a uma necessidade operacional real e estar perfeitamente integrado no funcionamento diário.

No nosso caso, a SARA nasce com um objetivo claro: ganhar capacidade, eficiência, rastreabilidade e agilidade sem interromper a atividade da plataforma. Para o conseguir, foram fundamentais vários aspetos: um planeamento muito rigoroso, uma implementação realizada por fases, a coordenação entre as equipas internas e os fornecedores tecnológicos e uma integração precisa com os nossos sistemas de gestão.

Não podemos esquecer, nesta equação, a importância de antecipar os possíveis impactos na operação. Na logística, qualquer mudança afeta pessoas, processos, tempos e fluxos de trabalho e, por isso, dizemos que não basta instalar tecnologia; é necessário redesenhar a operação, formar as equipas que nela trabalham e acompanhar a mudança.

A SARA permitiu-nos avançar para uma logística mais automatizada, mais segura e eficiente, mantendo sempre o nosso propósito: garantir que o serviço ao associado não seja afetado. A inovação só faz sentido se melhorar a cadeia e acrescentar valor real.

Empack e L&A: Coordenar uma rede de supermercados de proximidade apresenta desafios muito diferentes dos de outros grandes modelos de distribuição. Quais são as chaves para manter uma operação eficiente sem perder a proximidade com o território?

Elena: A principal diferença é que a nossa rede não responde a um modelo homogéneo. Cada associado tem a sua própria realidade, o seu contexto, a sua dimensão e a sua forma de se relacionar com os clientes. Por isso, a eficiência na Unide não pode ser entendida como uma estandardização absoluta, mas sim como a capacidade de dar uma resposta ágil e flexível a uma rede diversificada.

A primeira chave é conhecer bem o território e as necessidades dos supermercados onde operamos. Não é a mesma coisa abastecer uma loja numa grande cidade, uma loja de proximidade numa pequena localidade ou uma operação nas Canárias, onde o planeamento logístico é muito mais complexo.

A segunda chave é combinar tecnologia com conhecimento operacional. A digitalização, a automatização e a rastreabilidade ajudam-nos a ganhar precisão, mas têm sempre de estar ao serviço do associado. Por fim, a coordenação é fundamental. A logística funciona quando compras, operações, armazém, transporte, tecnologia e loja trabalham de forma integrada.

O nosso objetivo é sermos eficientes sem perder a nossa essência: a de uma cooperativa que acompanha empreendedores e lhes dá ferramentas para competir.

Empack e L&A: Feiras como a Logistics & Automation reúnem inovação e soluções para toda a cadeia de abastecimento. Que valor têm estes encontros para uma cooperativa como a Unide e para continuar a evoluir no setor?

Elena: Têm muito valor porque permitem ganhar perspetiva, conhecer a direção que o setor está a tomar e comparar soluções com outros profissionais que enfrentam desafios semelhantes. Na logística, a inovação evolui muito rapidamente, mas nem tudo o que surge no mercado se adapta às necessidades de uma organização.

Para uma cooperativa como a nossa, estes encontros são uma oportunidade para identificar tecnologias, tendências e modelos que nos possam ajudar a melhorar a eficiência, a sustentabilidade, a segurança e a qualidade do serviço. Mas são também espaços para partilhar experiências e aprender com outros projetos.

No nosso caso, a evolução logística tem de estar sempre ligada ao nosso modelo. Não procuramos automatizar por automatizar, mas sim incorporar soluções que nos ajudem a prestar um melhor serviço aos nossos associados, reforçar a competitividade das lojas e responder melhor à realidade do comércio de proximidade.

Empack e L&A: E para terminar este café… trabalhando tão de perto com o consumidor rural, o que mais a inspira neste modelo e que futuro gostaria de ver para o retalho de proximidade em Espanha?

Elena: O que mais me inspira é constatar que o comércio de proximidade continua a ter um enorme valor social. Em muitos municípios, uma loja não é apenas um ponto de venda. É um serviço essencial, um espaço de interação, um gerador de emprego e uma parte muito importante da vida dos habitantes.

A logística permite-nos ver muito bem essa realidade. Cada encomenda, cada rota e cada entrega têm por detrás uma loja que precisa de funcionar bem para prestar um serviço à sua comunidade. Isso dá muito sentido ao trabalho que fazemos.

Gostaria de ver um futuro em que o retalho de proximidade seja reconhecido não só pela sua proximidade, mas também pela sua capacidade de se modernizar, incorporar tecnologia e competir com modelos muito maiores sem perder a sua identidade.

Acredito que o futuro passa por combinar o melhor dos dois mundos: a eficiência, a digitalização e a inovação de uma grande organização, com a atenção, o conhecimento do cliente e o compromisso territorial do comércio local. É precisamente neste espaço que a Unide pode acrescentar mais valor.